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Sobre a Pesquisa

Pesquisa dirigida ao Projeto de Iniciação Científica atrelado ao Departamento de Análise Crítica e Histórica da Arquitetura e Urbanismo do curso de graduação da Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais. AUTORIA: Sofia Silveira Souza Alves , como bolsista PIBIC-CNPq (Edital 05/2021); sofia.silveira.s@gmail.com Sophia Freire Corteletti , como voluntária ICV-CNPq (Edital 02/2021). sophiafreirecorteletti@gmail.com Orientador: Prof. Stéphane Denis Albert René Philippe Huchet sthuchet@gmail.com   A ARQUITETURA MODERNA À LUZ DO VITRAL: Sobrevivências Históricas e Reinvenções Brasileiras. RESUMO : O objetivo desta pesquisa é a construção de um acervo e a análise de vitrais presentes em diversos contextos da arquitetura, tendo como foco o Modernismo Brasileiro. O trabalho introduz uma lista de referências, nacionais e internacionais, para fins de entendimento e contextu

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MONOGRAFIA EM PDF Baixe o PDF do artigo clicando aqui! Como citar:  ALVES, Sofia Silveira Souza, CORTELETTI, Sophia Freire. A Arquitetura Moderna à Luz do Vitral: Sobrevivências Históricas e Reinvenções Brasileiras. Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte, 2022. Disponível em: <https://vitraisnomodernismo.blogspot.com/2022/09/artigo.html>. Acesso em: INSERIR A DATA DE ACESSO

A Arte do Vitral

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          O vidro, colorido e transparente, é capaz de transformar um ambiente por meio de um processo sutil e unificador de transmutação do espaço interior. O vitral é uma arte ambiental que envolve o espectador ao criar uma atmosfera visual, vinculando-se, assim, com a arquitetura. Ligado, também, à memória e à tradição, o processo histórico, artesanal e tecnológico da técnica sobrevive e evolui, tornando o vitral o herdeiro atemporal da Idade Média. Exemplo de vitral em Saint-Denis Abbey.             A presença dos vitrais nas edificações representa uma certa desmaterialização da arquitetura, transformando um modo de vedação prático em obra visual na transfiguração da presença da luz, modulando o espaço e as sensações dos indivíduos. O sistema do vitral permite a respiração interfacial entre o interior e o exterior, uma vez que impede o contato visual com o exterior ao mesmo tempo em que utiliza a luz externa para inundar o ambiente interno.           A arquitetura moderna inova e e

Técnica de Produção

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          O vidro é feito, primordialmente, a partir da fusão de sílica a temperaturas de 1200 a 1500 graus celsius, podendo ser acrescido de outras substâncias que podem alterar suas propriedades de resistência, transparência ou coloração. Na técnica tradicional de fabricação, as peças de vidro eram provenientes do achatamento, por rotação rápida, de bolas e cilindros de vidro soprados, que eram posteriormente achatados e cortados. Já o vidro de elenco plano, usado na Antiguidade e durante a Alta Idade Média, na arte bizantina e mais raramente no Ocidente, estabeleceu-se como principal técnica para a produção de janelas, tendo como vantagem essencial a grande uniformidade de superfície e a transparência, enquanto no método tradicional os vidros soprados apresentam desigualdades de material e coloração.            Para a produção dos vitrais, o vidro é colorido em sua massa no momento da fusão da sílica a partir da adição de diversos óxidos metálicos. No entanto, há também a fabricação

Origens do Vitral

          Os vitrais, segundo textos de Prudence, de Tertullien, e de Paul le Silenciaire, estavam presentes desde as primeiras basílicas cristãs e em Hagia Sophia, na Constantinopla e, segundo estudos arqueológicos, esses eram painéis estruturados por estuque ou mármore. Também, alguns exemplares da técnica foram preservados em certos países mulçumanos. Já no Ocidente, foram encontrados vitrais que podem remontar ao período Merovíngio e aos séculos VII e IX. Ainda, há indícios de vitrais datados do século X com representações de figuras ou de cenas históricas, sendo a imagem humana mais antiga já documentada do século IX-X, encontrada em escombros em Lorsch, cidade na Alemanha.           Entretanto, a técnica do vitral floresceu na Europa Medieval, notadamente na França durante o século XII, com a adoção dessa linguagem estética catedrais góticas. Anteriormente, as peças de vidro que formam os painéis de vitrais eram unidas utilizando de gesso, pedra, mármore ou madeira. Já na arquite

Experiência Artesanal

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          Buscando compreender a fundo as técnicas de produção do vitral, foram realizadas, pelas autoras desta pesquisa, visitas presenciais ao Atelier Il Vetro, na cidade de Belo Horizonte, para o aprendizado prático do saber-fazer da arte do vitral. Instruídas pelo artista plástico, vidreiro, vitralista e restaurador de vitrais e de obras de arte Osvaldo Batista de Oliveira, ocorreu a produção de dois pequenos painéis de vitral, partindo desde os passos iniciais - englobando o desenho, o mapa das peças e o corte dos vidros - até a montagem do vitral, a soldagem e a niquelagem da obra. Vitralista Osvaldo Batista de Oliveira.         Ao longo das visitas, foi possível o ganho de conhecimento acerca da teoria, história e prática do vitral através do vasto saber do vitralista, adquirido por ele durante seus estudos na Art Student League e na Master Guild, ambas escolas situadas em Nova York, e ao longo de sua extensa carreira, que conta com mais de 18 projetos de restauros, além de cons

Ateliês e Vitralistas

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          Ao longo das investigações acerca da presença de vitrais no contexto brasileiro, percebe-se o destaque de certas Casas, maneira como eram nomeados os diferentes ateliês para a produção de vitrais, além de importantes personalidades artísticas que se fizeram por meio da arte do vidro. Um estudo aprofundado sobre as origens de tais nomes mostrou-se, assim, fundamental para a compreensão histórica da importação da técnica no contexto artístico-arquitetônico do Brasil, visto que muito do patrimônio nacional tem se após a imigração e europeus, principalmente alemães e italianos. CÉSAR ALEXANDRE FORMENTI           Nascido em Ferrara, na Itália, Formenti foi um vitralista, artesão qualificado, e herdeiro da tradição gótica. Aos nove anos iniciou seus estudos de pintura e, aos 15, conquistou um prêmio para viajar por um ano pelos principais centros culturais da Itália. Em 1890 com 17 anos, se instala inicialmente em Araras, São Paulo, chegando a morar, posteriormente, na capital

Vitrais de Referência

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     Em uma análise temporal, o surgimento da técnica do vitral data do século X, notadamente nas catedrais góticas da Europa Medieval. Ao longo dos séculos, essa tipologia artística e o conhecimento técnico difundiu-se e penetrou-se em distintas culturas pelo Globo, adaptando-se de acordo com as peculiaridades de cada uma ao mesmo tempo em que teve sua essência preservada.      Portanto, com o intuito de mapear a presença dos vitrais na arquitetura histórica mundial para compreensão das diferentes motivações, simbologias e finalidades de uso da técnica, estabelecemos uma espécie de linha temporal e de banco de dados com referências diversas, englobando aspectos chaves que permitem uma certa comparação entre cada uma delas. LINHA DO TEMPO      Linha do tempo construída abrangendo os vitrais de referência escolhidos para nortear o estudo histórico-comparativo da técnica ao longo dos séculos. FICHAS TÉCNICAS      Reunião de atributos que caracterizam, de forma sintética, as referências e

Estudos de Caso

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               Finalmente, o estudo imersivo do vitral no Modernismo Brasileiro possibilita o entendimento da permanência da arte do vidro na arquitetura moderna do século XX. Para tal, catalogamos e analisamos 10 permanências dessa técnica em diferentes tipologias arquitetônicas no Brasil, sendo quatro pré-modernistas e seis modernistas, atentando-se quanto ao gênero dos vitrais e suas simbologias, iconografias e importâncias históricas. Dessa forma, após o estudo particular de cada caso e da percepção comparativa entre a presença dos vitrais no pré-modernismo e as revivências da técnica no modernismo brasileiro, percebe-se, portanto, o cultivo de motivações e de finalidades referenciadas da Era Gótica-Medieval, esboçando uma linearidade histórico-artística dessa linguagem estética. EDIFICAÇÕES PRÉ-MODERNISTAS BRASILEIRAS      Estudo de caso de quatro edificações pré-modernistas brasileiras, datadas de diferentes décadas e pertencentes a diferentes estilos arquitetônicos, mas todas ap